Paróquia

Nossa Senhora das Graças Araraquara - SP

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BOM DIA!

Irmãos e irmãs, hoje vamos refletir dando sequência sobre a Origem das CEBs, a temática de hoje:

A COMUNIDADE…
É força de Deus, de Deus, de Deus,
Lugar abençoado, onde mora o Povo seu!

Vamos nos aprofundar um pouco sobre:

A) AS CEBs NOS DOCUMENTOS DA IGREJA

As CEBs propõem-se um jeito de ser Igreja que preza dois aspectos essenciais de uma comunidade cristã: a comunhão e a participação (duas bandeiras levantadas e assumidas em Puebla). Neste sentido, é relevante para elas o reconhecimento por parte do episcopado e de toda a Igreja Universal. As CEBs como a menor expressão eclesial, não pode deixar de estar ligada às outras comunidades e conseqüentemente a seus pastores e a todo o Povo de Deus.
Neste contexto, a Igreja não somente “aprovou” esta maneira de constituir –se comunidade, como também recomendou e no caso da Igreja no Brasil e na América Latina, a assumiu como “centros de evangelização e motores de libertação e desenvolvimento”

B) CONCÍLIO VATICANO II

Mesmo não se dirigindo explicitamente às Comunidades Eclesiais de Base, em cujo período conciliar estavam em fase de germinação, a nova mentalidade trazida pelo Concílio Vaticano II, deu margem ao trabalho posterior elaborado pelas CEBs.

– No reconhecimento do papel indispensável dos leigos (…)
– Na concepção de uma Igreja Ministerial (LG e AA)
– No entendimento da missão profética da Igreja (GS)
– Ser Igreja (LG 26)

C) CONFERÊNCIA DE PUEBLA – (DP)

Neste encontro dos Bispos da América Latina, ficou claro o papel e a natureza das Comunidades Eclesiais de Base e o seu reconhecimento como Igreja “celular”, básica.
Reconhece que as comunidades, sobretudo as CEBs, proporcionam maior inter-relacionamento entre as pessoas que a ela estão ligadas, e ajudam no amadurecimento da fé, gerando compromissos de transformação pessoal e social, tudo isso a partir das luzes do Evangelho.
Os bispos em Puebla percebem a força de renovabilidade das pequenas comunidades que favorecem uma “conversão da paróquia”, que se abre para a comunhão com as demais paróquias da diocese a que pertencem; se torna centro de animação das comunidades pequenas e se propõem ser mediadora daqueles serviços mais gerais, os quais as comunidades menores estão privadas; é responsável por promover a unidade entre comunidades, grupos e movimentos, superando o conflito entre “função administrativa” e “pastoral”, sendo que muitas vezes a primeira sobrepõe a segunda. Também, estas mesma paróquias sentem a “necessidade” de criar núcleo menores para a vida comunitária de seu povo.
“Conceitua” a comunidade eclesial de base enquanto
“Integradora de famílias, adultos e jovens, numa íntima relação inter-pessoal na fé.”
Sendo “comunidade de fé, esperança e caridade; celebra a Palavra de Deus e se nutre da Eucaristia.”
“Realiza a Palavra de Deus na vida, através da solidariedade e do compromisso com o mandamento novo do Senhor e torna presente e atuante a missão eclesial e a comunhão visível com os legítimos pastores, por intermédio do ministério de coordenadores aprovados.”

Se percebe claramente em Puebla o desejo de tornar as CEBs uma experiência fundamental para os cristãos latino-americanos. D. Pedro Casaldáliga falava numa reunião de assessores que as CEBs são “o jeito normal” de a Igreja ser. Isto não significa uniformidade, mas se reconhece nelas aquele desejo original das primeiras comunidades da vida em comum. As outras instituições ligadas à Igreja diocesana e paroquial não são descartadas, mas direcionadas a essa “necessidade eclesial primária”: ser comunidade. No caso da América Latina, Puebla vê nas CEBs o encarnar deste “espírito comunitário”.

Além de em Puebla se ressaltar toda esta positividade das comunidades, os bispos não deixam de notar possíveis manipulações políticas e possível perda de identidade como conseqüência do enfraquecimento de sua dimensão eclesial (de ser Igreja, comunidade de fé), devido à falta de atenção para com sua formação e desenvolvimento em algumas partes.

D) EVANGELII NUNTIANDI – (EN)

A Evangelii Nuntiandi, significando a Evangelização no Mundo Contemporâneo, carta apostólica do Papa Paulo VI, traz algumas considerações específicas a respeito das CEBs, ou, na linguagem da EN, das “pequenas comunidades”..
Há algumas expressões que nos fazem bem referir:

– As CEBs são capazes de revestir a experiência de fé de uma dimensão “mais humana”. Paulo VI reconhece que as grandes comunidades (como a paróquia, por ex.) não favorecem o desabrochar de um vivência comunitária, mas de uma “vida de massa e o anonimato ao mesmo tempo”.[
– É capaz de aprofundar as relações interpessoais, a partir da fé e suas manifestações, a própria estrutura de convivência de caráter mais cultural e sociológico. Também são capazes de, convocar e “congregar” grupos homogêneos para uma meditação da Palavra de Deus, para a vida sacramental e também para a partilha fraterna.
– Aponta para o senso crítico próprio das CEBs com relação a Igreja Institucional, que “contestam radicalmente esta Igreja”. Neste sentido, a EN cita da possibilidade de extremismos que levam as Comunidades à uma manipulação ideológica, inclusive por parte de uma corrente política, até mesmo de caráter partidário, sobretudo quando estas se separam ou quebram a unidade, a comunhão com seus pastores, e com o restante da Igreja.
– Para que cumpram com sua vocação de “ouvintes do Evangelho” e “destinatárias privilegiadas da evangelização” e “anunciadoras do Evangelho”, urge que não esqueçam o vínculo que há com a Igreja diocesana e com a escuta da Palavra, que não se enxerguem como “únicas e exclusivas” comunidades eclesiais, acabando por se fecharem em si mesmas; que evitem ser “hiper-críticas sob o pretexto de autenticidade” (o que não significa perder o senso crítico); não se deixar manipular por quaisquer ideologias dominantes que venham a descaracterizar seu potencial humano. Enfim, que não percam sua eclesialidade tornado-se apenas “comunidades de base”, puramente sociológicas, e por fim não percam seu caráter de comunidades missionárias.

E para concluir esse documento temos temos a Palavra do Papa João Paulo II:

Em um de seus discursos, na sua primeira visita ao Brasil em 1980, o Papa João Paulo II fala à Bahia como tendo uma importância história no processo de libertação latino-americano. Exalta a riqueza étnico-cultural e sua integração, como também exorta seu povo para que continue seu trabalho de construção de relações democráticas marcadas por um profundo humanismo e fraternidade.
As CEBs são uma “ferramenta” indispensável neste empreendimento, sabemos de seu empenho e sucesso em diversas áreas da vida social e eclesial, proporcionando maiores laços de amizades entre as pessoas, como também uma notória democratização das estruturas, favorecendo em diversos níveis a participação popular.
João Paulo II reconhece o papel desempenhado pelas comunidades e fala a seus animadores, em Manaus, nesta mesma viagem:

1) Reforça e renova “aquela confiança” depositada por Paulo VI na Evangelii Nuntiandi;
2) Vê nas comunidades além de seu potencial formador da consciência cristã, um meio de intervir minunciosamente no processo da vida social, em seus diversos âmbitos;
3) Ressalta a dimensão da “eclesialidade” que lhes confere identidade. Atenta para o perigo sempre presente da instrumentalização política, e o conseqüente comprometimento de sua “liberdade, a eficácia e a própria sobrevivência”.
4) São comunidades de caridade e amor fraterno. Que aproximam as pessoas e as convida a tecerem relações de amizade e comunhão, manifestando esta dimensão por meio do serviço mútuo.
5) Os leigos nas CEBs tornam concreta sua missão de sacerdotes e profetas, com dinamismo e eficácia;
6) Trata da importância dos lideres (os animadores das CEBs), como responsáveis pela formação destas mesmas comunidades, a colaboração no fortalecimento da fé dos membros, também da manutenção da comunhão com padres e bispos, e para este trabalho beber nas fontes da Palavra de Deus e da Tradição da Igreja.
7) Finaliza identificando o líder da comunidade mais como testemunha do que como mestre, rogando que o amor seja a inspiração de sua vida.

Podemos, então perceber neste pronunciamento do Papa, que mesmo em se tratando de uma mensagem para animadores de comunidades de base de uma região do país, podemos estender suas considerações para todas as outras: as CEBs não somente são importantes para a evangelização no Brasil, mas são imprescindíveis dentro de um projeto de participação consciente e transformadora, seja no interior da própria Igreja, seja no serviço à sociedade como um todo.

Nosso próximo estudos vamos refletir sobre os seguintes documentos:

A) AS CEBs NA CONFERÊNCIA DE SANTO DOMINGO

B) DOCUMENTO 25 DA CNBB (a partir do Material do Sub VI) CEBs E ECLESIALIDADE

C) AS CEBs E A OPÇÃO PELOS POBRES

PAZ E BEM!

BOM ESTUDO

DIÁC ULISSES ABRUZIO

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