Paróquia

Nossa Senhora das Graças Araraquara - SP

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Diaconato Permanente… O que seria?

Diácono Ulisses Abruzio, explica:

.Tríplice missão

53. “Fortalecidos com a graça sacramental, os diáconos servem ao povo de Deus na diaconia da liturgia, da Palavra e da caridade, em comunhão com o bispo e o presbítero”(LG 29). Segundo a tradição apostólica, o diácono participa da missão plena do bispo, realizando sua função não apenas em nome do bispo e com sua autoridade, mas em nome de Cristo e com sua autoridade, mediante a consagração do Espírito Santo. Em seu grau, participa da missão de Cristo Mediador, Cabeça e Pastor.

54. Dentro da realidade sócio-econômica-politico-cultural em que vivemos, situa-se o ministério do diácono em três âmbitos bem definidos: o serviço da caridade, a evangelização e a ação litúrgica.

Aí temos as três dimensões diaconais convém relembrar:

4.1. A diaconia da Caridade

55. A promoção da caridade e do serviço constitui um campo de evangelização vasto e diversificado. O diácono testemunha a presença viva da caridade de toda a Igreja e contribui para a edificação do Corpo de Cristo, reunindo a comunidade dispersa, desenvolvendo o senso comunitário e o espírito de família. Vai ao encontro das pessoas de qualquer religião ou raça, classe ou situação social fazendo-se um servidor de todos como Jesus.

56. No Rito da Ordenação dos Diáconos, o texto sugerido para a homilia do bispo diz: “Consagrados pela imposição das mãos, que procede dos Apóstolos, e vinculados mais intimamente ao serviço do altar, os diáconos exercerão o serviço da caridade em nome do bispo e do pároco. Amparados por Deus, procedam de tal modo em seu ministério que possam reconhecê-los como verdadeiros discípulos daquele que não veio para ser servido, mas para servir” (nº 14).

57. O Concílio Vaticano II lembra essa função no texto da restauração do diaconato: “Dedicados aos ofícios da caridade e da administração, lembrem-se os diáconos do conselho do bem-aventurado Policarpo: ‘Misericordiosos e diligentes, procedam em harmonia com a verdade do Senhor, que se fez servidor de todos’” (LG 29).

58. Na promoção social e na vivência das obras de misericórdia, o diácono assume a opção preferencial pelos pobres, marginalizados e excluídos. Ele é apóstolo da caridade com os pobres, envolvido com a conquista da sua dignidade e dos seus direitos econômicos, políticos e sociais. Está próximo da dor do mundo. Deixa-se tocar e sensibilizar pela miséria e provações da vida e reveste-se de especial compaixão pelos pobres, pelos desempregados, sem-terra, sofredores de rua.[12]

Compete aos diáconos administrar os bens e as obras de caridade e promoção social em nome da hierarquia.[13].

4.2. A diaconia da Palavra

59. A Igreja nasce da ação evangelizadora de Cristo e da vinda do Espírito Santo, e permanece no mundo como sinal da presença do Reino. A evangelização é missão primordial da Igreja, afirma a exortação apostólica “Evangelii Nuntiandi”: “Igreja existe para evangelizar, ou seja, para pregar e ensinar, ser canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus e perpetuar o Sacrifício de Cristo na Santa Missa, que é memorial de sua morte e gloriosa ressurreição” (EN 14).

60. O diácono, antes de ser servidor da Palavra, será discípulo e ouvinte. Com frequência fará a leitura meditada e orante da Sagrada Escritura, que é a escuta humilde e cheia de amor daquele que fala. A familiaridade com a Palavra de Deus facilitará o itinerário de conversão não apenas para separar-se do mal e aderir ao bem, mas também para alimentar no coração os pensamentos de Deus, de modo que a fé como resposta à Palavra de Deus se torne o novo critério de juízo e avaliação das pessoas e dos acontecimentos[14].

61. A missão evangelizadora do diácono não se restringe à homilia ou ao anúncio da Palavra no contexto litúrgico. Como anunciador da Palavra, ele dá, antes de tudo, o testemunho de um ouvinte assíduo e convicto do Evangelho. Transmite à comunidade a Palavra libertadora, da qual ele próprio já experimentou o poder de transformação. Identifica-se com a Palavra anunciada; é, em sentido pleno, servidor da Palavra. Anuncia a Palavra de Deus com a autoridade que nasce, especialmente, da convivência com o Evangelho.

4.3. A diaconia da Liturgia

62. Na Igreja primitiva, os diáconos exerciam várias funções litúrgicas. Afirma Inácio de Antioquia: “É preciso que os diáconos sejam ministros dos mistérios de Jesus Cristo e agradem a todos sob todos os aspectos, porque são servidores não somente para o sustento e a bebida, mas estão a serviço da Igreja de Deus” (Tral 2,3). Dessa advertência conclui-se que o serviço das mesas não era considerado profano, mas estava inserido no ministério de Cristo, pois o ágape e a eucaristia, nos primeiros séculos estavam integrados no culto cristão. Assim, os diáconos, chamados particularmente ao serviço dos pobres, tinham igualmente seu lugar na celebração do culto.

63.Hoje, a diaconia litúrgica é exercida pelo diácono na celebração dos sacramentos ou sacramentais, na presidência das celebrações da Palavra e nas orações.

64. São freqüentes os apelos do Concílio para que todos os cristãos, mas de modo particular os ministros do altar, façam da celebração eucarística o centro de suas vidas e de suas atividades (LG 42; SC 10; PO 5; OT 8; PC 6). O diácono, testemunha qualificada da diaconia e do amor de Cristo pelos homens, não poderá realizar eficazmente sua missão se não mantiver estreito contato com a Eucaristia, sacramento do serviço e da caridade.

65. Existe, ainda, profunda relação entre Eucaristia e serviço social. A função diaconal simboliza, de algum modo, o duplo movimento de sístole e diástole da Eucaristia. O diácono leva o pão eucarístico e traz para o altar as oferendas que exprimem a comunhão dos fiéis. Leva aos doentes, ao mesmo tempo que o Corpo do Senhor, o auxílio da comunidade. Recebe e distribui. Seu ministério demonstra que a liturgia e a vida social não são duas realidades justapostas, mas pólos de uma mesma economia, pulsações de um mesmo movimento, que através de Cristo vem de Deus e a Ele retorna. No culto, o serviço encontra sua fonte; no serviço, o culto revela sua eficácia. O serviço litúrgico é expressão simbólica do centro de gravidade do ministério diaconal exercido num serviço setorial da comunidade.

Ainda nessa mesma linha podemos assim descrever:

II VIDA E ARTICULAÇÃO DOS DIÁCONOS

1. Testemunho de vida e comunhão

66.“O testemunho da vida tornou-se uma condição essencial para a eficácia profunda da pregação… O mundo reclama e espera de nós simplicidade de vida, espírito de oração, caridade para com todos, especialmente para com os pequeninos e os pobres, obediência e humildade, desapego de nós mesmos e renúncia. Sem esta marca de santidade, dificilmente a nossa palavra fará a sua caminhada até atingir o coração do homem dos nossos tempos; ela corre o risco de permanecer vã e infecunda” (EN 76).

67. Os diáconos lembrem sempre que são pessoas consagradas que representam pública e oficialmente o Cristo-Servo na sua família, no trabalho, na paróquia, na comunidade. Suas palavras, gestos e atitudes manifestam o Cristo. Por isso, o diácono deve continuamente avaliar o seu grau de identificação com o Senhor, de acordo com a exortação de Paulo: “A ninguém demos qualquer motivo de escândalo, para que o nosso ministério não seja criticado” (2Cor 6,3-4).

68. “Servidores que são dos mistérios de Cristo e da Igreja, abstenham-se os diáconos de qualquer mau hábito e esmerem-se em agradar sempre a Deus, ‘prontos a qualquer obra boa’ (2Tim 2,21) para a salvação dos homens. Em razão, pois, da Ordem que receberam, devem sobretudo avantajar-se aos demais na prática da vida litúrgica, no amor à oração, no serviço divino, na obediência, na caridade e na castidade” (SD 25).

69. Revelou-se, ao longo desses anos, como muito proveitoso e positivo, o convívio de bispos e presbíteros com as famílias dos diáconos, indo além dos encontros formais e pastorais. Essa convivência, incluindo a esposa e os filhos dos diáconos, visto que de alguma forma também eles participam da diaconia, seja incentivada em vista de uma integração cada vez maior que conduzirá, sem dúvida, a um fortalecimento na ação e no testemunho de comunhão.

70. Tal comunhão se constrói não somente nos momentos bons, mas também, e principalmente, quando o diácono se encontra isolado ou enfrenta situações de crise. Igualmente, quando doente ou em idade avançada e cansado, receba ele a atenção que seu estado requer, a fim de que encontre alívio no sofrimento. Em caso de fraqueza, seja o diácono perdoado, acolhido e, quando necessário, ajudado a se recuperar.

71.O testemunho de vida e comunhão do diácono afeta todos os ministros ordenados. Nesse sentido, é a hierarquia da Igreja que estará sendo atingida na qualidade do testemunho. “O ministério ordenado necessita recuperar sua vivência colegial.(…) Essa comunhão ministerial deve ser vivenciada, afetiva e efetivamente, em todos os graus do ministério” (DGAE, Doc 54, nº 320).

72. Os diáconos mostrem que não são apegados a cargos e funções, nem a lugares, nem estão atrás de honrarias, sabendo oportunamente e com generosidade promover outros ministros num revezamento salutar nas funções assumidas, para que não cedam ao perigo de perpetuar-se nos cargos ou de portar-se como “senhores” em vez de servos.

2. Vida familiar

73. Diácono casado não descuidará do seu lar sob o pretexto do exercício do ministério. Por isso, desenvolverá uma autêntica espiritualidade matrimonial e estará sempre atento para que os trabalhos diaconais não o afastem da necessária convivência com a esposa e os filhos.

74. Abertos ao Espírito, os diáconos caminhem para uma sempre maior harmonia entre o ministério diaconal e a vida conjugal e familiar, vivendo a dupla sacramentalidade de modo pleno e alegre.

75. Bispos e presbíteros devem respeitar a dupla sacramentalidade do diácono. A família deste seja acompanhada em sua caminhada espiritual. Encontros, estudos, retiros e atividades pastorais são sempre de grande valor e estímulo para que, com a esposa e os filhos, o diácono possa ser o primeiro a viver o que anuncia.

76. A família do diácono, Igreja doméstica, constitui o primeiro campo da sua ação ministerial, na qual o seu testemunho e ação evangelizadora constituem “um exemplo vivo de fidelidade e indissolubilidade” e “uma fonte de ânimo para todos aqueles que trabalham pela promoção da vida familiar”[15].

77. As experiências das famílias dos diáconos ao longo desses anos evidenciam o quanto é benéfico cuidar do envolvimento de todos os membros da família no ministério diaconal. Elas se identificam como famílias que tornam realidade a nova evangelização.

78. É imprescindível que o diácono e a esposa criem clima familiar de liberdade para os filhos, sem lhes impor exigências e obrigações adicionais, para evitar eventual rejeição do ministério e até o afastamento da comunidade.

79. Com caridade e atenção considere-se a situação daqueles diáconos que ficam viúvos. O bispo analise cada caso, em especial aqueles que ainda jovens encontram-se com filhos em tenra idade. Igualmente merecem toda a atenção aqueles que, ficando viúvos, não têm filhos ou parentes. O bispo e a comunidade diaconal diocesana acolham e cuidem carinhosamente deles para que realmente se sintam em família.

3. Vida profissional e social

80. A presença de um ministro ordenado nos diversos ambientes da sociedade (lar, fábrica, clube, escola, sindicato, partido político…) ainda não foi bem assimilada, seja por alguns membros do clero, seja por muitos leigos. Da parte do clero, requer-se uma superação do clericalismo, que considera como pastoral somente a atividade diaconal exercida dentro dos templos. Da parte dos leigos, faz-se necessária a desmistificação da figura do ministro ordenado, a fim de remover barreiras e evitar um relacionamento artificial e temeroso.

81. Nesse sentido, os diáconos sejam homens do seu tempo e do mundo: vivam, participem, estejam presentes, convivam com os seus conterrâneos e contemporâneos sendo em tudo como eles, menos naquilo que contradiz o Evangelho e os ensinamentos da Igreja.

82.Tipo de profissão ou trabalho civil que o diácono exerce não deve ser inconveniente ou inadequado para um ministério ordenado (cf. CDC 17); por isso, será sempre oportuno decidir essa questão em comunhão com o bispo.

83. Os diáconos são provenientes de todas as categorias profissionais, alguns com altas responsabilidades públicas, empresariais ou comerciais. Nesses casos, procure-se o adequado acompanhamento do diácono para que os seus negócios sejam sempre pautados pela honestidade e pela ética profissional, sem ferir os ensinamentos da Doutrina Social da Igreja e sem trazer ônus para a própria comunidade (cf. CDC 2854).

84. Os diáconos permanentes podem participar na política partidária como dirigentes, membros ou até candidatos de partidos políticos e exercer cargos públicos. Também podem participar como membros ou dirigentes de entidades e organismos de classe e sindicatos, sempre decidindo sobre a oportunidade e conveniência dessas ações em comunhão com o bispo, inspirando-se na Doutrina Social da Igreja, favorecendo a paz e a concórdia, fundadas na verdade e na justiça (cf. CDC, 288,287/2).

85. A possibilidade de a Igreja fazer-se presente no ambiente político, na pessoa de um dos seus ministros ordenados, merece ser acolhida e até incentivada em determinadas circunstâncias; deve, porém, prevalecer o bem da comunidade maior. Por isso, bispo, presbítero, diácono e comunidade guiem-se pela atitude de Cristo, que teve compaixão de seu povo (cf. Mc, 3,6).

Bom Estudo!

Paz e Bem

Diác. Ulisses Abruzio

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